quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hoje sonhei que fazíamos qualquer coisa do dia a dia na mais doce naturalidade como se nada tivesse acontecido. Isso me trouxe a paz que eu precisava pra parar de me culpar.
Pena que era apenas um sonho... mais um...

Ao despertar, a memória - normalmente falha - me lembra que já era tarde, já tinha estragado tudo. Criei um abismo entre nós totalmente desnecessário, por pura confusão. 
Hoje só desejo que tudo volte a ser como antes, assim como no meu sonho. 
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Passou do Ponto


Aconteceu uma vez. Não, não faz sentido. Até que... novamente. Coincidência, certamente. Um dia e outro mais pra frente mostravam com insistência. Não! Não tem explicação!
Não consegui mais. Mas fica comigo, é só meu, de mais ninguém. Sem sucesso, reparti, com todos os receios e consequências. Ajudaram a cuidar e, muitas vezes, fortaleciam. Eu não queria, nunca quis. Insistiam pra deixar andar sozinho. Novamente não quis. A dúvida nunca existiu, com exceção em como achar a saída. Com o passar das semanas, meses, deixava escapar algo – algumas vezes por querer. Dia perdido entre os meses que me puxava de volta. E assim que ele passava tudo voltava, junto com o fermento inocente e amigável. E assim ficou em 'banho maria' por um tempo. A confiança foi depositada na panela, com a condição de nunca passar do ponto. Os igredientes selecionados com todo cuidado. O fogo alto falhou uma vez ou duas, mas não notou, pois estava tão certa e concentrada que... acabou transbordando. E nada que fizesse colocaria tudo de volta na panela. Já estava tudo espalhado pela cozinha. Ao olhar em volta não conseguia entender muito bem o que tinha acontecido, mas estava visivelmente orgulhosa pelo prato – mesmo não podendo degustá-lo. Mas minutos depois fitou a mão que estava próxima ao fogão e que nada fez além de assistir. Como um filme, foram passando cenas, conselhos e diálogos que resultaram nessa cozinha imunda. Vergonhosamente, lembrando de todo entusiasmo ao colocar a panela em cima do fogão – enquanto todos se divertiam só esperando o grand finale – o único sentimento ali era pena. E isso, confesso, é um dos piores sentimentos que se pode ter, principalmente quando se trata de si mesmo.
 Na teoria é sempre perfeito, mas na prática é preferível deixar os igredientes mofando dentro do armário a ver eles sendo jogados fora. Como que eu, tão pé no chão, deixei isso acontecer? A única conclusão que consigo chegar é que, além de nunca mais deixar de lado minha intuição na hora de temperar, devo voltar a cozinhar sozinha – sem “ajuda” ou palpites de ninguém. Agora a cozinha precisa dos meus cuidados, com licença.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Grãos de Passado


  Acordei sorrindo, absorvendo a maresia por todos os poros. Tentando ser o mais silenciosa possível pra não te acordar. Fui  até a janela admirar o mar que, nos últimos dias, tem sido o cenário dos momentos mais doces que já tive. Nada grandioso, somente coisas simples que só você sabe dar o tempero necessário tornando-as eternas na memória. Ao voltar ao presente - quase que no susto - me apressei até a cozinha para preparar um capuccino quentinho, sem açúcar, do jeito que gosta. Te despertar acariciando seu rosto e recebendo um sorriso sereno em troca é a sinopse de mais um dia perfeito.
  Lado a lado, de frente para o mar, comentamos sobre as conchas mais bonitas que achamos no caminho. A minha preferida é a que tem forma de coração. A primeira que achei e escondi para te entregar por último.
  Os grãos de areia se misturam com as pintas que mapeiam seu corpo, delimitando o território que tomou conta do meu mapa enquanto estava distraída. O beijo salgado e prolongado quase que em câmera lenta. Descobri o aroma sublime resultante da junção do mar com seus cabelos que deixaria qualquer Chanel Nº 5 pra trás.
  Acordei pra ser feliz mais um pouco. Para a minha surpresa você já tinha se levantado da cama. Te chamo sorridente pelos cômodos, esperando a quaquer momento a surpresa. E a encontrei. O sorriso ansioso se transforma em lábios trêmulos. Um pedaço de papel rabiscado com pressa junto com meu último presente: "Nossas lembranças irão durar uma vida inteira. Guarde as melhores com você, esqueça as outras". Não precisava de nenhuma palavra a mais pra entender que seu passado veio te buscar. Temia que isso viesse a acontecer mais cedo ou mais tarde, mas ignorei essa possibilidade por simples medo. E o que haviamos vivido acabou me distraindo tanto que esqueci que isso poderia acontecer.
  Foi o que guardei então, fora o próprio amor. A música que marcou, o silêncio entre as palavras, o meu silêncio. Farelos de momentos, palavras não ditas, um adeus negado, mágoas. Apanhei pedaço por pedaço do (nosso) passado espalhado pelo chão e tentei transformar num futuro que fosse no mínimo agradável.
  O passado é o mais presente em nosso presente, que inevitavelmente fica de presente. Você pode guardá-lo debaixo do travesseiro ou no fundo do armário, dentro de uma caixa lacrada, a qual não pretende abrir mais.
  Não podia - nem tinha o direito - de impedir você de ir atrás do que faz seu coração acelerar a ponto de perder o ar. Só não queria que levasse o meu junto sabe-se lá pra onde. Quando tiver um tempo - entre uma alegria e outra - devolva ele na caixa de correio. Só caso eu venha precisar dele novamente por conta de um susto ou um pesadelo qualquer. E sem perceber é onde eu estava: em um pesadelo. Aquilo que sempre rondava meus medos resolve acabar com o sonho que estava sendo saboreado com todos os cinco sentidos.
  A onda inesperadamente forte que derruba o castelo de areia, construido pouco a pouco, com as medidas certas e a areia selecionada. A onda fria que te desperta do sono com uma brutalidade quase cruel. Estirada no chão como se tivesse desabado, relembra cada minuto vivido ali. E sobre a areia permanece com olhar fixo, onde as lágrimas e o mar viram um só. Quase coberta totalmente pela água, sem qualquer reação, entendeu que nem tudo que acaba tem  um fim.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Laços

   Tudo bem... eu compreendo você, não pense que não. Não posso andar ao seu lado (agora?) e continuar atrás já não acredito que vá me fazer bem. Espere mesmo. Sinta falta com toda saudade que carrega. E quando (e se) voltar, aproveite ao máximo. Eu quero que aproveite. Que fique com o seu de tempos em tempos já que não posso ser o contínuo. Eu poderia passar o resto da vida assim, sem nenhuma reciprocidade e ainda sim estaria bem, porque aonde quer que eu vá levo você do lado de dentro, onde vento nenhum derruba e a chuva não enfraquece.
   Fala! Por favor, fala!! Me diga quem é que lhe tira o sono e eu te trago correndo embalado pra presente com laços tão bem feitos como um abraço. Deixarei na porta, apertarei a campainha e irei embora. Não é por nada, mas esta alegria específica prefiro não compartilhar, se você não se importar. Não, isso não é uma desistência, embora tenha tropeçado nela algumas vezes. Certamente não sentirá mais dor e será feliz... e eu.... de certa forma, ficarei bem. Não vou dizer que é o que mais quero, mas é o que você deseja. E o que você deseja, pra mim, é o que importa - já que me alimento do seu sorriso, não posso deixá-lo morrer.


Sim, tem vezes que tudo isso que me faz sorrir me irrita de tal forma que me afasto na esperança que o nó na garganta se desfaça. Toda vez é assim. Sempre que chego mais perto tropeço no não conseguir enxergar dentro de você. O pouco que vejo – se esticar bem o pescoço – é você caminhando em sentido contrário, mas parando sempre pra olhar pra trás como se esperasse alguém. E eu (inevitavelmente) sempre ali, logo atrás, cuidando de você sem que sequer perceba. Sabe... não tenho a pretensão de tomar o lugar de quem tanto espera, mas posso segurar uma mão enquanto a outra continua a aguardar, só pra não te deixar esperar só.

Passagens Compradas


        Existia um trem, forte, veloz, que passava a todo gás por várias cidades sem a menor dificuldade. Por uma mudança de rota inesperada de apenas um dia, teve que ir até uma estação nova, a qual acabou o tirando dos trilhos completamente desde então.
      O início sempre é conturbado até que tudo se encaixe. E quando não chega a se encaixar? As inúmeras tentativas falidas de agradar, me aproximar, de te conquistar. Queria tanto que entendesse que me atrapalho todo, trocando os pés pelas mãos, porque me afogo na ansiedade de acertar seu coração.
E você apareceu novamente, com o sorriso mais cativante que alguém pode ter, daqueles típicos de quem viu a pessoa que faz o coração bater mais forte. Bem que podia ser pra mim. Mas só cumprimentou de longe e continuou andando até o que realmente te atraia. Chega! Eu não quero mais! .... Mentira! O que eu mais quero é ter você novamente em meus braços, te mostrar que pode sim valer a pena, ser maravilhoso e sem cobranças ou planos.
     Aquele casaco eu nunca mais usei ou lavei. É ele que abraço forte nos dias mais difíceis por ainda exalar o seu perfume, que acalma o desejo insistente de você. Posso te confessar uma insanidade particular? Inspirado em nossas conversas acabei comprando um presente, mas ainda não tive coragem de entregar. Nem sei se terei, sinceramente. Sei que mergulhei de cabeça, sem me importar com nada nem ninguém e, a única certeza que tenho, é que faria tudo de novo. E de novo e de novo e quantas vezes fossem permitidas.
Hoje me deu uma vontade violenta de te ligar. Apenas pra dizer que estava com saudades e... Talvez convidar pra sair, passear em qualquer lugar, sem pretensão alguma. Rir, sentar na grama comendo “dentaduras”, falar besteiras e só.
      Estou exausto de me colocar em outros braços e ainda sim sentir o gosto do seu beijo. De tentar seguir e só ver você, nos pensamentos, nos sonhos, imaginando como poderia ter sido diferente. Podia dar uma chance a quem faria de tudo só pra te ver sorrir. Ok, uma segunda chance, que seja. Eu juro que vou me comportar e não deixar minha ansiedade estragar tudo outra vez. Vem, me deixa tentar ao menos, sem se preocupar com o amanhã. Permita-me tentar uma última vez. Andar pelos trilhos levando você, sentindo sua respiração junto a minha, correr o mais rápido que puder, sentindo o vento que passa suavemente entre nossos lábios e fazer tudo que a gente quiser. Caso o passeio não seja o que esperava, – mesmo a contragosto – prometo te deixar na próxima estação e ir embora, sem olhar pra trás.

Retalhos Enterrados [ Série "Títulos" ]

Em certos momentos é tão tentador voltar à infância a ficar por lá. Lembrar que não se tinha preocupações e que a sua maior dificuldade era conseguir chegar ao último galho do pé de jabuticaba que ficava no jardim. “Olhe pra trás, porém só se for necessário” – conselho que mamãe sempre me dava quando tinha que enfrentar sozinha o escuro. O desejo que ansiava era comer o doce de banana feito por sua mãe. Era sábado e... a tristeza do dia era não poder estar do lado de fora, pois chovia forte e parecia que não iria parar tão cedo. A bronca mais temida era quando não se aguentava e ria durante a missa. Eu costumava usar Ray Ban. Não, não era meu, era minha diversão preferida pegar os óculos daquele tio mais chato e metido e deixar ele louco procurando. “Toc-Toc”. Dessa vez ele chegou rápido e pela batida na porta parecia furioso. Essa era a situação mais tensa. Hora de esconder bem escondido os óculos para evitar uma surra. “Minha princesinha de botinas prometeu não fazer mais isso, não é?” – dizia meu pai tentando acalmar as coisas. E eu, com uma expressão angelical, balançava a cabeça concordando. Minha cor preferida era cor-de-rosa, como a maioria das meninas da minha idade. Mas diferente delas, associava mais a flor, então a minha rosa tinha várias cores. 
De acordo com o ciclo, não podemos ficar se escondendo na infância pra sempre. Um dia a gente tem que crescer e as todas as preocupações, dificuldades, desejos, tristezas, broncas, diversões, situações tensas, preferências, perigos,... mudam quase que bruscamente.
Eu poderia ficar horas falando do meu passado pra não lembrar que o amor é mesmo assim, acontece e desacontece como num passe de mágica. Não queria falar dos invernos dos meus dias, mas acaba sendo inevitável. Faz parte de mim, não posso contar uma estória pela metade. É como se ler um livro com páginas arrancadas. Da mesma forma que não se termina sem um fim. Por isso algo me diz que ainda há de existir amor. Pode ser uma parcela desejo meu, claro. Mas infelizmente você se foi... e o nosso fim vai ficar assim mesmo? Eu não aceito! Um amor que foi meu, só meu. Que tinha de tudo, renúncias e loucuras. E hoje... está feito pó. Tudo que restou são apenas retalhos de bons e doces momentos. Não acredito – me recuso a acreditar – que tudo aconteceu por conta de denúncias anônimas. Você não pode ser tão cego! A minha raiva foi tão grande que não consegui nem olhar em seus olhos. Dali em diante, era como se fossem passos descalços dados no escuro. Sem rumo ou qualquer pretensão continuei caminhando. E durante essa caminhada acabei me entregando a uma noite de luxúria ou duas. Capítulo que arranquei do meu livro para que ninguém soubesse. Precisava urgentemente de goles de lucidez, mas só sentia o gosto das lágrimas mortas. Refazia-me e começava a arrumar minhas vitrines individuais. Quem sabe assim não poderia mostrá-la a alguém que realmente quisesse entrar e investir realmente. Uma espera por ninguém, por si somente. Meu verdadeiro delírio, o delírio de existir. Era só o que me restava então. Equalize as emoções, meu bem. É hora de voltar!
Nunca gostei das coincidências. Sempre ousadas e, às vezes, cruéis. Maldito acaso que nunca mais fez a gente se encontrar. Só queria conversar... podia ser até por telefone ou naquela esquina. Podia ser de longe mesmo, num dia comum, você fumando da janela de uma casa qualquer. Mas não. O futuro do pretérito deu lugar ao passado desbotado. Você pode duvidar... But... I don’t care.


Criado carinhosamente a partir dos títulos de Loara Gonçalves 
http://vozessurdas.blogspot.com

Cíclica e Crescente Sede da sua Intensidade [ Série "Títulos" ]

Entre invernos e infernos da alma os dias vão passando, embalados pelas semanas que, ao mesmo tempo em que passam voando – me mostrando o tempo que perdi –, se arrastam – a cada dia que não te vejo. Enquanto isso eu me pego rodando em linha reta, caminhando por mais um dia sem data.
    Mas cá entre nós, quem nunca contou as quedas? Tropeços que alertam, quedas que ensinam, paixões que alimentam, amores que matam. Embora fugisse não poderia mais me segurar em nada, estava caindo em tentação pelo verbo descobrir. Sim, descobri pelo amor e também pelo desespero por ser barrada pelo espaço que me impede de cuidar de você quando te vejo como uma criança no escuro... e me vem o desejo súbito de te deitar no meu colo enquanto perco meus dedos no seu cabelo... assim, sem esperar nada em troca. Sério!
    Lembranças da noite que finalmente aceitou tudo aquilo, vestiu a roupa nova que ainda levava a etiqueta na gola e usou aquele batom vermelho-cereja que ganhou no natal passado. Voltou pra casa estranhamente leve como uma caixa cheia, recheada de sensações e confusões que se misturavam e esbarravam no autoconhecimento. Nesse mesmo dia, com a alma letárgica, eu tive a impressão que não ficaria triste se teus lábios nunca viessem a tocar os meus. Porque não quero ser mais uma boca de mais uma noite de adrenalina passageira e alegria embriagada, da qual você provavelmente não se recordará muito bem. E mesmo que muitas vezes eu beba na esperança de que os pensamentos confusos se organizem, eu não gosto (nunca gostei). Eu quero sim – não tenho mais como negar o encanto que exerce sobre mim –, mas com a condição de se lembrar de cada minuto, cada carinho, cada palavra, cada olhar. Mesmo que tudo isso não volte a acontecer. Mesmo que nunca venha a acontecer. De qualquer forma sempre estarei por perto, o quanto você permitir, ali, pronta. Conte... I, II, III,... quando estiver pensando em começar eu já estarei tocando a campainha com um chocolate quentinho e uma rosa vermelha que perdeu algumas pétalas no caminho pela minha pressa de chegar.
    Tantos anos num estado congelado que agora parece que não sei mais lhe dar com isso. O comodismo se junta com os receios que me acorrentam ao chão. Manter-se sempre na zona de conforto podem custar ausências e perdas irreparáveis. Pode – e vai – tornar a fantasia calada em desejo sufocado e, consequentemente, o amor em simples lápide, com anotações de um tempo conturbado de uma série de desesperos lúcidos e vestígios que adormecem. Então já será tarde outra vez.  Os sons vão ficando mais distantes e o blackout é inevitável, quase induzido.
    Ligo a TV e tento viajar nela para esquecer o constante conflito dentro de mim, estampado no meu rosto e que o espelho insiste em me jogar na cara. Não sei quem estava cantando, mas com certeza ela não era uma rock-star. O que importa? Podia ser minha cantora preferida, a saudade ia continuar engasgada, os olhos marejados e levemente fechados pra (só assim) encontrar você.
 O fato é que nem sempre dá pé. E aí, mesmo não tendo absolutamente nada para te dar impulso, é hora de usar toda sua força para subir. Inspirar, se segurar em sua essência e subir. Foi então que percebi que outro alguém assistia tudo de longe. Talvez já estivesse ali a um tempo e nem tinha me dado conta. Aproximando-se com um sorriso trazia algo nas mãos, que gracinha. O que se quer nem sempre é o que se precisa. Quem sabe um novo embrulho e uma rosa bastariam. Pelo menos naquele momento. Mas no minuto seguinte, lá no fundo, por mais que ignore, ainda se se ouve um grito lá de dentro – num tom ensurdecedor – “procura-se por intensidade”... pela sua intensidade!


Criado carinhosamente a partir dos títulos (e algumas expressões) de Ana Paula Prestes 
http://coracaodegas.blogspot.com

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Atalhos pra sair de mim [ Série "Títulos" ]


Pessoas desconhecidas, músicas repetitivas, cigarro, bebidas e algo que eu não sei. Uma noite nada agradável, sem objetivo algum. “Um pouco de Beatles, por favor”, pedi ao homem e seu violão, na tentativa de fazer a vodka descer mais suave. Nada mudou. Continuava limitado a saudade. O garçom, que me olhava preocupado pelo tanto de bebida que já tinha me servido, passou ao lado da mesa e eu o parei. “Pode me ver uma paixão com duas pedras de gelo?”. Ele riu e saiu.

Posso estar errado, mas talvez o nada possa ser um (re)começo. É que eu ainda acredito nisso, ou pelo menos eu tentoSer, Acreditar e Existir. Já é o bastante...
E eu fico aqui, só esperando que passe... Mas nada muda. Você se foi e Eu parei. Parei no tempo, totalmente. E o que sobrou não foi nem a metade... Depois o que resta é a solidão com pedaços de cetim. Sem final feliz, muito menos um Era uma vez. Memórias apenas. E assim o pequeno príncipe deixou de existir... só pensava em ir pra qualquer lugar. E foi até a Terra do Nunca com passagem só de ida, a princípio. Desejava esquecer, assim como foi esquecido. Deve ser um pouco insanidade também, mas sonhei com a cigana que cruzamos naquela noite que nos conhecemos... e ela falou das mudanças entre estações, entre a lua e o sol e claro,  sobre você. Em uma noite um tanto quanto inusitada, Você e Ela, Eu e Você, depois só nós. Mas ela não me deu a resposta que eu queria, que eu tanto precisava para seguir em frente. E agora sou eu, a procura de um outro eu, em mim mesmo. Passo noites escrevendo com todo meu amor, tudo que foi sobre você. Palavras esquecidas e outras encontradas. Definitivamente tudo que eu não disse. Não porque não quis, obviamente. E tudo isso pra quê? Pra mim? Não, não era eu quem precisava saber todas essas coisa. Pra você! Como tudo que faço, penso, desejo,... vivo!
 O tempo parece não me ajudar em nada. Ele só tem servido pra me trazer você. E junto com você o vazio... seu sorriso, minha saudade e um pouco de nós... Um “nós” sem convicção alguma, que talvez só existisse pra mim. Sinto falta de poder te ver despertar com aquele sorriso contagiante. E logo após o “bom dia” mais amável correr e voltar para a cama com o pote de jujubas vermelhas, as quais nunca deixei faltar. Pensando bem, não me lembro de ter deixado faltar nada, nunca. Até um certo dia... o dia que deixei faltar amor próprio, deixei de me cuidar, deixei de viver a minha vida para viver a sua. Já são duas da manhã e você ainda não voltou. O telefone toca. Ainda bem, já estava preocupado. Atendi com um “alô” aliviado, mas... você não falava nada. Só ouvia sussurros, gemidos e sons que detalhavam uma noite... da qual eu não precisava saber, se meu número não tivesse sido o último que telefonou. Por mais que tentasse, não conseguia dormir. Em minha mente passavam imagens que completavam aqueles sons. Era o que precisava pra finalmente tomar uma atitude. Um tempo para o fim. E dessa vez, sem atalhos. Não valia mais a pena sofrer tanto pra ter você por alguns momentos ou noites. Por mais amor que eu sinta, entre perder você e me perder, fico com a primeira opção. Apenas até você chegar e me tomar em seus braços, me fazendo ceder novamente. Não! Não consigo mais, não posso mais me enganar. É só mais uma falsa verdade que você usa para me usar. Antes era assim. Agora o que ficou foi apenas um bilhete em cima da cama arrumada: “Até mais, por aí... na vida”. E fim... nem acredito eu coloquei esse “fim”. Sempre achei – e tive medo – que você o faria. Agora entendo o real sentido de você me chamar de “meu bem”. Era exatamente isso que eu era, que sempre fui. A partir de hoje deixarei de ser um mero objeto da sua estante, o qual você utiliza quando lhe convém. Você e seu ego, provavelmente, irão fazer uma exposição – com o nome “cartas de um suicida” – com tudo que lhe escrevi em cada crise de desespero de te perder. Hoje vivo de um outro lado, mais calmo, mais seguro, mais maduro. Acho que você nem me reconheceria. Tão oposto como o Norte e o Sul quem sabe? Confesso que o fato de não ter ligado, me procurado, nem para saber o que aconteceu me deu forças para eu não voltar atrás. ... Agora sou mais eu, mais objetivo e confiante. Estou tão complexo, tão cheio de mistérios para quem olha de fora. Para quem era tão frágil e transparente, hoje, a única coisa que meus olhos dizem é “decifra-me”. Privilégio que não dou a qualquer um... Pelo menos não mais que uma noite ou duas.

Criado carinhosamente a partir dos títulos de Lucas Ribas
http://lucaasribas.blogspot.com/

Leste inventado... e abandonado [ Série "Títulos" ]


Foi como se o tempo tivesse parado. Não me recordo da expressão que fiz, nem sobre o que era a conversa. Naquele exato minuto eu parei e a última lembrança que tenho é do seu rosto. Parece que algum tipo de descontrole imperou em mim desde então. Eu tinha esquecido quão estranho é essa sensação. É um estado completamente... vulnerável. Como se eu estivesse sempre nu quando estou na sua presença. Mesmo que a vontade seja outra, tudo não passa de pensamentos, sentimentos e palavras guardadas, não ditas.
Não acho que devemos sempre seguir a lógica. Nunca gostei, mas hoje parece que me falta... um rótulo, alguém me empresta? Eu já não sei mais quem eu sou e confesso, às vezes cansa ser a ovelha negra, indo quase sempre contra tudo e todos. Mas ir contra você mesmo também não é aconselhável, não acha? Você nem está prestando atenção na conversa, não é? Tudo bem... eu só estava dando voltas enquanto a coragem não aparecia. Na verdade nunca tinha te visto dessa forma, mas naquele dia, naquele minuto em que parei no seu rosto eu... não sei definir o que exatamente eu senti... Era quase um pouco de tudo. Não, não precisa falar nada nem ficar assim, mas eu preciso falar. São apenas desabafos de uma insana e perturbadora ressaca emocional. Nada mais que um amontoado de letras, meros segredos.
Tenho que te confessar. Não durmo (direito) faz alguns dias, ou meses, não sei ao certo. Só vejo, de longe, a cama com os lençóis esticados... exatamente do jeito que você deixou. Deixando também um tanto de você, um tanto de você em mim. E pensar que... Só você... O escolhido foi você! Apenas um Intento: cumplicidade. Foram horas que mais pareceram 30 minutos de quase amor. Confidências, brincadeiras e... a “sua mina”, lembra? Não consigo esquecer a sua expressão ao filosofar sobre ela. O “1 + 1 = 2 [resultado positivo]”. Sem esquecer o nosso Leste inventado. Dos nossos devaneios o meu preferido. Coisas nossas, que só a gente entende. Que foram nossas... Ao menos até então. Estória que hoje vai de mal a pior por algumas linhas a mais. Até hoje não sei qual foi a (in)certeza que te fez partir.  Pra mim foi tão instantâneo e contaminável que não via outra coisa pra nós além de felicidade. E só(s). Eu não precisava de mais nada. Seria pleno! Seu beijo era minha anestesia particular. Não consigo ir dormir sem ele. Meu amor, Não me deixe sem! Sem você... sem nós.
Os tais medos que tanto falam não nos servem pra nada. Os acontecimentos não vão deixar de existir só porque você tem medo. Eu não os tinha... até minha mina desmoronar em cima de mim.

Criado carinhosamente a partir dos títulos de Thiago Falat
http://oinsopitavel.blogspot.com

Tempo


Tenho uma certa simpatia pelo tempo. Ele ameniza e, algumas (poucas) vezes, até acaba com o sofrimento. Mostra, mais cedo ou mais tarde, quem são as pessoas, inclusive aquelas que parecem tão amigas nos primeiros 2 meses. Te faz desenvolver a maturidade quase que à força. Te mostra que aquilo que você pensava que era, na verdade não faz sentido algum. Te ensina a dar valor às coisas e pessoas que realmente importam. Te alerta a aproveitá-lo, pois provavelmente não voltará. E se voltar, jamais será da mesma maneira. Mas que dá um aperto no peito querendo alguns momentos de volta, ah isso dá. Pode-se dizer, até, que o tempo me fez exatamente do jeitinho que sou hoje. Só me resta agradecer, tempo, por tudo!

Labirinto

   Eu entrei. Não me pergunte como, por onde, quando. Achei que nunca mais entraria, mas quando olhei pra trás já não enxergava a saída.  Já não tenho mais como voltar, sei disso, mesmo que muitas vezes eu tente.  Não posso negar que há opções e que tenho uma vaga noção de onde vão dar. Ou não. É tão mais fácil ficar onde estou. Sentar e esperar passar, por mais que incomode, que doa. Uma hora passa, tem que passar! Mas também posso continuar e...  e arriscar achar o caminho certo. Mas, afinal, qual é o tão famoso caminho certo?  
   Eu, sinceramente, não me vejo encontrando a saída que eu gostaria. Talvez só em meus sonhos e devaneios em momentos em que o pensamento acha uma brecha pra te buscar em meio aos problemas e rotina. Ou quando toca a música.... a melodia que me traz você como uma brisa doce... e que se torna um tanto quanto amarga no refrão.
   Ah! Vamos cair na real, não tenho mais idade pra isso! Não posso mais me comportar como uma adolescente inconsequente que espera o chamado do príncipe pra pular da torre direto no seu cavalo branco e cavalgar pelos bosques... ah não! Vamos fechar o livro de conto de fadas e voltar à realidade. Nunca vai acontecer! É tão óbvio! Vou continuar assim, sem a coragem e... sem você. Só me dê uma informação... Onde fica a saída mesmo??
...
Mentira! A última coisa que quero encontrar é a saída. Vem cá... me dá sua mão. Vamos fazer um belo passeio por esse labirinto, vai. Só hoje. E que venham muitos "hoje".

domingo, 23 de outubro de 2011

O som que tocou o coração...


Hoje, depois de muito tempo sem nem lembrar que música existia, tive vontade de ligar o rádio do carro quando voltava pra casa. E a música que tava tocando... (risos) era aquela... aquela que me lembra você. Não me pergunte o motivo, simplesmente me vem você quando a escuto. Talvez porque era ela que tocava quando você dançava naquele dia, ou seja só uma música que você goste... sei lá... sei tão pouco de você. E mesmo assim você me intriga. Sempre me intrigou. Não me pergunte o que sinto, não faço a menor idéia. Mas carinho... isso sim, sinto muito carinho por você. Sinto também por não ser tão próxima quanto gostaria. Olha que engraçado... comecei falando de um assunto e acabei falando de você. Eu... confesso que... não! Nada de confissões. Isso iria desencadear pensamentos e sentimentos que não devem ser estimulados. E não me venha com aquele discurso pronto de que devemos fazer tudo que temos vontade e se arrepender só do que não fizemos. É muito fácil falar... bom, depende do que se fala não é?! Falar "você é muito especial pra mim", dependendo das circunstâncias, é mais difícil do que perder alguém essencial e não deixar escapar nenhuma lágrima. Eu não quero perder você... mesmo que eu jamais venha a ter.