sexta-feira, 17 de junho de 2022

A Festa

 

                                       "Nossa química é perfeita, nos completamos em um nível psíquico altíssimo, eu diria                                     que nosso amor é nossa religião, nosso ópio. Como pode um ser tão metódico como eu querer alguém tão bagunçado assim como você? Nem Freud explica."

Maria Pia

Cheguei atrasada, a festa já estava cheia, de risadas, bebida e cores. Cumprimentei os amigos, e fui em direção ao bar buscar uma bebida, pois pode parecer contraditório, mas precisava dela para me manter equilibrada até o final da noite. Embora quisesse muito interagir e conhecer as pessoas, eu também desejava outras coisas que não podia desejar. Busquei me distrair conforme as possibilidades. Enfim, a bebida começou a deixar a festa mais divertida, estava mais fácil rir de algumas piadas forçadas que ouvia. Resolvi ir dançar – é uma esperiência sensorial diferente fazer isso alcoolizado, caso nunca tenha feito, recomendo experimentar (com cautela).

Luzsaudademúsicamágoatonturabebida–pensamentos–cheiroslembrançasvisão periférica–decepçãosensibilidade–bebida–confirmação–dança–sensações.

Claro, sempre tem aquele momento que você precisa dar uma volta, então aproveitei para ir ao banheiro. Entrei, ela estava lavando as mãos na pia – o coração acelerou, como de costume. Ela me olhou pelo reflexo do espelho e voltou para si, como se nada tivesse acontecido. Se moveu eu direção a porta e meu primeiro impulso foi segura a maçaneta, travando-a para ninguém entrar e nem sair. Ela, sem me olhar nos olhos, me pediu:

– Licença...
– Não consigo.
– Eu preciso sair.
– Eu preciso te beijar.
– ... Se você não me deixar passar eu vou gritar.
– E eu vou ser obrigada a tapar a sua boca com a minha.

Ela tentou me tirar da porta pra passar, eu a puxei pelo pescoço e a beijei como nunca. A levei com meu corpo para dentro da cabine mais próxima. Ela não relutou, mas tentou falar algo e, imediatamente, a puxei pelo cabelos e a calei com mais beijos.

 

[ Continua... ]





[ ou não. ]

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Malaxofobia

 


"O horror visível tem menos poder sobre
a alma do que o horror imaginado."
William Shakespeare

Dizem que se você consegue falar de uma dor sem chorar, é porque você a superou. Hoje assumi pra mim mesma que não cicatrizou. Acredito que não foi por terminar repentinamente depois de momentos intensos. Não foi por usar um motivo que não encaixava na minha lógica. Foi pela forma que a notícia chegou, com o despejar de raiva, humilhação, crueldade e usando tudo que confiei para machucar. Até da minha maior dor foi colocada sobre a mesa de plástico, tão fria quanto o coração de quem falava. Eu achei que iria parar de respirar, enquanto meu corpo queimava por dentro. Enlouqueci. Comer era quase impossível. O banheiro do trabalho era o lugar seguro para as lágrimas, quando os pensamentos agitados entravam em combustão.

O ímã que atraiu as almas trocou de lado, prantos intermináveis, rezando, ora pra Deus, ora pro Diabo. Tivemos outras chances, que só se desgastaram com inúmeras atitudes erradas de ambas as partes. Tentei fugir várias vezes, confesso, da maneira errada. Mas a necessidade de fugir era maior do que o sentimento, que volta e meia, pesava mais na balança. O medo das explosões criava as omissões, as fugas, a necessidade desesperada de paz a qualquer custo.

Caminhei até a praça pra te ver de longe. Não estava preparada para te ver de perto e, quando vi, me deparei com uma frieza agressiva. Vi aquela que conheci há anos atrás. "Ninguém se cura sem cortar a causa do mal, sem se privar do que machuca (...) Ninguém volta a sorrir nos lugares onde sua felicidade foi perdida, roubada, aviltada, negada." E isso vale pra você também. Acredito que devemos deletar as "culpas", porque delas nada de bom sairá. Mas é importante nos protegermos, sem machucar, sem trair a confiança que um dia foi depositada uma na outra. Sofrer com dignidade e respeito a tudo que foi vivido. 

A verdade é que não há remédio que mude a essência, a reação de machucar toda vez que se sente machucada, estando juntas ou não. Entendi meu medo de você, mas vou me curar um dia. Entendi que meu inconsciente nunca esteve errado em me proteger, ele sabe que outra dor dilacerante eu não resistiria. Nunca foi falta de amor, foi, e continua sendo, pânico de morrer de novo. É instinto de sobrevivência.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Quando não souber o que fazer


"A parte que ignoramos é muito maior
que tudo quanto sabemos."
_Platão_

Respire fundo e tente ver a situação de fora, neutralizando qualquer sentimento. Ninguém é perfeito, então abandone a ideia de uma relação assim, seja ela qual for. Quando não souber o que fazer, elogie, mas com sinceridade. Esteja por perto, é seu colo que ela vai querer, seja pra descansar ou chorar. Não tenha medo de qualquer coisa que esteja além de vocês dois, fatores externos sempre existirão e terão que lidar com isso. Quando não souber o que fazer, veja um filme ou uma série, é incrível o que você pode aprender com eles. Abrace-a do nada, não espere por motivos. Quando não souber o que fazer, faça um chá e admire a lua. Evitem segredos e mentiras, isso vai corroer o sentimento aos poucos. Se interesse por ela e seu dia. Ela é a sua pessoa, provavelmente a única com quem você pode ser você mesmo. Aproveite, isso é raro. Quando não souber o que fazer, chame pra conversar, não há nada mais esclarecedor. Deduções nunca plantaram boas sementes. Se ela é a primeira pessoa que você pensa quando acaba de acontecer algo bom e quer contar, isso é um sinal. Se te arrepia com facilidade, é outro forte sinal. Quando não souber o que fazer, roube um beijo, as reações são quase tão boas quanto o próprio beijo. Quando não souber o que fazer, mande uma mensagem contando como ela a faz sentir e a falta que faz. Orgulho é veneno, que mata aos poucos e te deixa distante das alegrias. Ninguém é perfeito, lembra? Pra ser feliz é preciso arriscar e, inevitavelmente, vai doer, às vezes. As melhores experiências vêm acompanhadas de alguns arranhões. E tudo bem.
Não há quem pare duas pessoas comprometidas em serem felizes e crescerem juntas. Elas se apoiam, se cuidam e não desistem à toa. Quando não souber o que fazer, tome um banho quente, com música e tudo mais que tiver direito. Acaricie um animal, fará um bem danado para ambos.
Quando não souber o que fazer, dê uma pausa, procure um lugar silencioso, feche os olhos, respire calmamente. Às vezes, a resposta que você precisa pulsa no seu coração. Ouça.

sábado, 23 de maio de 2020

Sabor de despedida... ou não


Sorte?! Não era das coisas mais presentes na vida de Diana. Sorte no amor, então? Melhor mudarmos de assunto. Mas espera aí! Quem nunca teve ou foi uma decepção amorosa? Está bem, não se pode negar que Diana tinha o “hábito” de colecionar complicações na vida. Por quê? Não sei, meu palpite é que o roteirista da vida dela era metade ironia, metade sarcasmo.
Noite fria, largada na poltrona velha e desbotada, Diana assistia vários canais ao mesmo tempo pra tentar focar em algo menos bagunçado que seus pensamentos. Sem sucesso, ia desligando a  TV quando uma frase de um anúncio de sei lá o que chamou sua atenção: “Se te faz sorrir e não sai da sua cabeça, não desista”. Ela sorri, debochadamente, desliga a TV e vai para o quarto. 
Deita e … pára tudo! Ela não tinha mais nada a perder. “Dane-se!”, falou em voz alta. Pegou uma folha de caderno e escreveu devagar, caprichando na letra:
“Sei que errei muito, mas você nunca entendeu ou soube dos motivos das minhas escolhas. Não tem que me perdoar, mas posso pedir um último beijo? Te espero onde foi o nosso primeiro beijo, no dia do meu aniversário. É o único presente que quero. Prometo nunca mais te procurar.”
Fechou os olhos, tomando coragem. Se deixasse para amanhã, provavelmente a coragem já terá se diluído em seu medo. Pulou da cama e, sem pensar duas vezes, colocou o bilhete do bolso do casaco e foi andando pela rua, tão escura e deserta quanto estava seu coração. Chegou e ficou olhando aquela janela onde passava na frente pelo menos uma vez na semana sem saber o porquê do masoquismo. Coração acelerou, mas controlou a vontade de entrar pelo portão  gritando clichês bregas românticos. Colocou o bilhete na caixa de correio e, contrariando sua vontade de ficar, foi embora. Provavelmente não conseguirá dormir hoje. Seu aniversário, que ia passar em branco, já é na próxima semana e agora iria marcar sua vida. Não que ela tivesse esperança de receber seu ”presente”, mas se acontecesse… ah, se acontecesse.
Como era esperado Diana não conseguiu dormir e se recusava a voltar para a TV. Ela já tinha feito estrago demais. Se obrigou a tomar remédios para dormir,  pois tinha que trabalhar cedo, mesmo sem um pingo de vontade.
Acordou atrasada, só vestiu a roupa, escovou os dentes e correu para o trabalho. Sentada na da sua mesa, ela se lembra, por um minuto, da noite passada, com aquela sensação de que foi um sonho. E, no minuto seguinte, cai na real, foi mais real do que ela gostaria.
Ficou na dúvida se se matava naquele momento ou esperava a hora do almoço. Mas acabou usando a hora do intervalo para tentar desfazer a besteira. Tentou pegar o bilhete da caixa de correio mas parecia não ter mais nada ali. “Quem é que acorda cedo pra pegar cartas?”, resmunga baixinho. Com a cabeça mais congestionada do que antes volta para o trabalho mas não consegue se concentrar. Às 18h bateu seu cartão-ponto e voltou para casa, quase no automático. Podia ouvir a sonoplastia fúnebre de fundo. 
Os dias passaram tão rápido, parecia que o universo conspirava para celebrar seu aniversário.”E se eu não aparecer? …”, e assim, aflita, foi a véspera do seu aniversário,  fazendo mil perguntas que ela mesma respondia sem muita convicção.
Mal abriu os olhos de manhã e seu coração parecia que ia sair pela boca. Chegou o dia. E agora? Se ela tivesse um controle remoto da vida, com certeza iria acelerar até o dia seguinte.  Mas, infelizmente, a tecnologia não avançou tanto assim.
O dia de trabalho nunca passou tão rápido. Foi pra casa, tomou seu banho e ficou um bom tempo se olhando no espelho, esperando uma resposta de si mesma.
O local parecia vazio. “Que ótimo! Não vai abrir hoje!”, pensou, aliviada e entusiasmada com o destino. Abre-se a porta preta e sai um homem, que acende seu cigarro, olha pra ela e sorri: “Chegou cedo, hein?! Fica tranquila que vamos abrir em 15 minutos”. E assim nasceu o sorriso mais amarelo da história. Diana entra, seguida de um grupo de amigos, a música já está tocando. Não que isso a acalmaria, mas ela desejava, fortemente, um atentado terrorista naquele lugar. Era uma mistura de ansiedade, medo, vergonha e... “o atentado não vai acontecer mesmo?”. Já estava na sua terceira dose. Vai que o coma alcoólico fosse vantagem dessa vez e a salvasse, já que os terroristas estavam atrasados?
As horas passavam e mais copos iam, rapidamente, ficando vazios. Mas como de costume, começa a tocar aquela música pra desestabilizar mais ainda o psicológico de Diana. Ela nem conseguiu se recuperar da música quando entrou, com a roupa mais provocante possível, preta, e o perfume que chegou segundos  antes do último capítulo dessa tragédia. “Que bom, já veio de preto, para o meu funeral.”, pensou, segundos antes de se dar conta que quase não sentia seus membros. Enquanto estava vendo a tragédia se aproximando em câmera lenta, planejava como iria se desculpar por tudo aquilo. Obviamente, não deu tempo, Marina, séria, parou em sua frente, silêncio constrangedor.
Devido a música alta, Marina se aproxima e fala bem próximo de do ouvido de Diana:
- Eu não me importo de dar seu presente de aniversário, se me prometer que não será o último.

E o que parecia estar perdido, recomeça, uma história que poderia ser com você, com seu vizinho, com sua prima, ou qualquer pessoa que, por um segundo, resolveu sonhar.

sábado, 2 de maio de 2020

.Game . Over.


Sempre tem aquela fase que você não consegue passar, por mais pontos que faça. O vilão é sempre invencível, até que você o vença. Será que somos tão vítimas das situações como contamos? Já parou pra pensar que se não tivesse dado aquele passo nada disso teria acontecido? Se, simplesmente, apagasse aquele dia? Talvez, tudo comece a ficar com o peso igual, ou pelo menos um certo equilíbrio entre os erros e os acertos. Sim, tiveram acertos, todas as vezes que houve verdade, sinceridade, preocupação com o outro, não só com si. Eu acredito naquela história que ninguém conhece alguém por acaso, assim como quando se reencontram. 
Mas o que você fez nesse intervalo? Quem se tornou? Não quem é de fato, mas essa pessoa que aparece na vitrine, que você molda conforme lhe convém. Não sei se é isso mesmo que quer ser, mas sei que não é o que eu quero pra mim. Ou está mentindo pra mim ou pra você mesma. E tudo bem, essa onda já passou, chega a ser mágico como o mar que desmancha a escultura de areia. E isso alivia a alma. Não sou ninguém pra dizer o que é certo ou errado, apenas não quero. O tempo está passando e preciso ir. Sinto, nesse momento, uma paz na qual me envolvo daqui pra frente. Ciclo finalizado, como deveria ter sido há muito tempo. Só vejo coisas boas pra todos nessa história, e, quem sabe, um reencontro futuro em um shopping, no teatro ou no parquinho onde nossos filhos se conheçam e brinquem juntos. Ou num parque onde vamos beber e rir disso tudo. Rir, é isso que desejo pra nós.
Sorrindo, aceno, viro-me e vou embora mais madura, com a tranquilidade de não ter sido eu que não teve coragem de ser feliz.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Amor (im)Próprio



“Só se cura um amor com outro amor. E ele se chama amor próprio”.


       Ela não aguentava mais ficar ali, no escuro e sem perspectivas de nada, por mais amor que tivesse. Ela saiu a pouco tempo daquela caverna que um dia a fez muito bem, ou achava que fazia. Ela sente falta todos os dias, mas tem medo de voltar. Por mais que a caverna a tenha protegido muitas vezes, tenha sido seu colo e seu lar por anos. Ela tem um sentimento ímpar e infinito por aquele lugar, mas não gosta de como estava se sentindo lá. Tem boas lembranças que ficarão pra sempre dentro dela, as quais são sempre lembradas com um leve sorriso. A garota tenta não passar perto da caverna, pois as últimas vezes ela não resistiu e entrou, cuidou, reviveu, amou cada centímetro daquelas paredes. Não percebeu o tempo passar, de repente, estava quase tudo escuro. O pânico a tirou de lá, correndo, chorando. Suspirou aliviada quando tomou distância suficiente, mas ainda sim, querendo olhar para trás. Ela sempre promete não voltar para perto dali e, quando percebe já está bem próxima, como se algo a puxasse sempre. Era algo bom, seguro, doce, alegre, encorajador, protetor e, ao mesmo tempo, nada disso.

      Ela não acreditava nisso, mas depois foi obrigada a admitir o que ouviu uma vez: Tudo que fazem com você, é porque você mesmo permite. Se te machuca, não deixe, mesmo que doa se afastar, mesmo que qualquer coisa. Entre salvar você e o outro, se priorize, afinal, ninguém no seu lugar vai escolher alguém que não seja ele mesmo. Quando puder salvar o outro sem arriscar sua própria vida, faça-o. Quando for realmente amor, que seja merecido, e não imposto. Que seja dividido, e não cobrado. Que seja cuidado, e não sacrificado.
      A garota construiria seu castelo naquela caverna. Porém, sempre passam furacões por ali, além de se sentir amarrada constantemente, sem saber o motivo. Por mais aconchegante que fosse, estar lá dentro significava sacrifício, que causam machucados, cujas cascas sempre eram arrancadas pelas paredes ásperas. Como a caverna ainda exercia uma influência forte, mesmo a menina não estando mais lá dentro, foi preciso ir pra longe, mesmo querendo ficar.  Um “adeus” com gosto de “até breve”. Foi, é, e continuará sendo condenada pelo crime de escolher o que é melhor pra ela. Queria que fosse diferente, então descobriu que só querer não é poder... nem por amor.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Transborda-me




Já conheceu alguém que, quando olhou pela primeira vez em seus olhos, algo aconteceu dentro de você? Mesmo que não tenha percebido naquele mesmo instante, mas soube que ela havia alterado alguma coisa nas batidas do seu coração.
Não importa como esteja o ar a sua volta, tudo se torna magicamente colorido. Sonhos, desejos e sorrisos bobos passam a te acompanhar, muitas vezes sem você nem perceber.
É como se não conseguisse fugir, se pega inventando desculpas para estar perto. E estar diante dela já é incrível. As coincidências se tornam frequentes. O toque é diferente de qualquer outro. O beijo é único. O abraço te inunda de algo que nem existe palavras pra definir. É inevitável não planejar sua presença nos passeios mais improváveis. 
Mas como tudo, não é fácil, óbvio e com receita pronta pra florescer. Ás vezes, é algo tão forte que se embaraça, sendo preciso tempo e distâncias para desfazer os nós. Para então, a linha fazer novos desenhos e histórias, percorrendo e pulsando por todo corpo, por todas as dádivas que nos aguardam, logo ali. Nesse momento, a felicidade transborda, e fica desejo de parar a vida naquele instante, nem que seja pra ter mais tempo de guardar todos os detalhes dentro de si, antes que o vento a leve, de novo, pra longe. Estarei esperando a próxima primavera pra, com sorte, sentir tudo isso novamente, estonteante e intensamente.

sábado, 13 de abril de 2019

Como?



Como é olhar nos meus olhos e ver todos os meus desejos e dores? Como é tocar alguém que se arrepia só com a sua respiração? Como é não conseguir olhar nos meus olhos por mais de 5 segundos? Como é beijar alguém e latejar o corpo todo? O que sente? O que pensa? Como é sorrir no meio do dia por uma lembrança? Como é me ver num dia comum e imaginar meu corpo entre o seu e a parede? Como pode meu beijo ser na boca mas, ao mesmo tempo ele percorre você inteira? E quando nossos olhares se cruzam sem querer e o calor toma conta do corpo todo? E quando você olha pra minha boca, sem dar a menor atenção para as palavras e viaja nos meus lábios da forma mais sacana possível? Como é ver meu ombro de fora e se imaginar nua, colada em mim? Como é sentir você estremecer com um único músculo? Saboreio-te com os olhos sem ninguém perceber. Como é ter você em cada fragmento meu e não poder te tocar? Como é acordar e dormir pensando em você? Como faz quando sinto o seu cheiro no ar e não posso sentir seu gosto? Como acordar e seu rosto ser a primeira obra de arte que desejo ver? E quando sonho com você e acordo sem você? Como é, no meio do nosso amor, eu acordar na escuridão da minha solidão? Como é não saber se vou sentir seus lábios novamente? Como é passar na frente da janela só pra saber se está lá? Como te ver e não sonhar? Como é sentir o seu perfume e não poder beijar cada curva do seu corpo? E como, por favor, me diz como não desabar com seu sorriso? 

Como é? Se souber de algo, não me conte, me faça sentir! Me faça sua!



Daphne Garcez

segunda-feira, 19 de março de 2018

Paz e Amor (?)

Amor, Paz, Ame, Vermelho, União, Romance, Sentimentos

"Não encontramos a paz no amor que as pessoas podem sentir por nós, mas no amor que podemos sentir pelas pessoas."
Juahrez Alves


A pessoa certa é aquela que fica? Ou aquela que faz o que é melhor para os dois ou pra você? Até onde vale a pena se matar aos poucos por alguém? O que é certo e errado? Isso é errado? Se você sabe o que tem que fazer, não faz por quê? É amor mesmo?

Andava distraída com esses pensamentos confusos e, simplesmente, me vi presa a uma teia de aranha, onde parecia ser o lugar perfeito. Ah... Desculpe as desilusões, mas a perfeição não existe. Quanto mais tento sair, mais presa e cansada fico. Eu só fico ali, não me alimento, nem de comida nem de sonhos. Vou vivendo ali, até secar por completo. Prefiro morrer a matar.

Vou definhando por aqui e, até que alguém me prove que amor e paz podem andar juntos, eu não quero amor nenhum.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Nosso Castelo




     Hoje eu encontrei onde vou morar. Já trilhei meus planos e os detalhes de como tudo vai acontecer. Sem prender nem contar com ninguém, vou construir meu castelo silenciosamente. Se eu contar vai me dizer: “Nossa, parece coisa de filme!”, ou “Você está vendo muito novela”. Eu fico com primeira opção. Primeiro, porque eu não assisto novela. E depois, os filmes nada mais são do que a realidade filmada e editada. 
      Pode parecer loucura. E também não me importo, nunca disse que eu era normal.  Vou sozinha, mas confiante. O que eu senti quando imaginei um momento X, me foi o suficiente para colocar em prática. E quando sinto, é tão mágico que me inspira. Vou trabalhando os maus hábitos que não vão combinar com o que me espera. Talvez eu seja o Príncipe que cai do cavalo no clímax da história. Mas vou embarcar nisso, pois sei que vale a pena, pelo sorriso que vi. As visões que tive na minha casa nova não têm preço. Dizem que quando a gente quer muito, de verdade, com pensamento forte as coisas acontecem. Por agora não tenho muito mais o que falar, preciso começar logo, pois meu castelo me espera. Esse é o prólogo de uma história muito linda que teima em não morrer. E com esse castelo, muitas outras coisas virão. Em breve volto aqui pra te contar. Ou te levarei lá. Muito em breve...

domingo, 5 de março de 2017

Metamorfose



    Aquele momento que você parece um CD e tem uma faixa no repeat, incansavelmente. Mas não é da sua música favorita. Só não volto pra faixa anterior porque não sobreviveria mais uma vez. E mesmo que não queira, mesmo que doa, mesmo que vá sentir falta, é preciso ir à diante. É preciso voar até se encontrar. Não posso me acostumar com a dor, por maior que seja o amor. 
  Não se pode correr uma maratona de perna quebrada. Todo machucado precisa cicatrizar, pra não doer mais depois, ou machucar quem não tem nada a ver com suas dores. Esse processo é muito individual, mas depende mais de você mesmo. Cada um sabe onde e quanto dói, então pressão nenhuma vai acelerar o processo, pelo contrário. Mude. Alguma coisa tem que mudar, nem que seja mudar de cidade. Vai! E se der medo, vai com medo mesmo. O máximo que vai acontecer são novas histórias, novos desafios, novas oportunidades. Enquanto isso, desejo que seja feliz, desejo abraços que te acalmem, cafunés, sorrisos. Eu quero e preciso, desesperadamente, me encantar pela vida novamente. Talvez, sem querer, a gente se esbarre lá na frente, curadas, mais maduras, com os corações inteiros, e prontas para enfrentar o que for, lado a lado.

    Se você quebrar o casulo antes da hora, a borboleta não conseguirá voar, e pode nem sobreviver. Ela precisa do tempo dela. E, se você souber esperar, verá quão lindas serão suas asas colorindo ainda mais o seu jardim. De repente, sem querer, depois de voar por aí, entre tantas coisas, a gente decida pousar no mesmo lugar. Mas, por hora, o melhor é voar pra longe.

sábado, 2 de abril de 2016

Aqui jaz...

"Confesso, matei alguns sentimentos por aí… Mas foi em legítima defesa!"


    Vai ver eu nunca estive inteira mesmo. Vai ver eu fui tão estraçalhada que nem minha boa vontade e os farrapos do meu coração foram suficientes. Taí, hoje não sou suficiente pra nada nem ninguém, nem pra mim mesma. Não confio em ninguém, pois sei onde isso vai dar: Em suas palavras sendo usadas contra você mesmo junto com tudo de pior que podiam vir de alguém que ama. O mal estar é recíproco, porém, de natureza diferente. Cobranças e julgamentos banhados à crueldade, pois quanto mais machucar melhor. É como cobrar de um acidentado que perder as pernas a promessa de anos atrás de correr no parque com você.
    Pra que se esticar tanto? Pra que insistir tanto tempo e esforço no amor? Pra que forçar algo que só machuca e decepciona mais os dois lados? Porque é da inevitável e desumana natureza humana. Se tivessem se conformado e acabado lá atrás, no primeiro ponto final, este não teria virado a primeira vírgula de muitas que viriam – pontudas e cortantes. Amor? Muito fácil de confundir com outras coisas, até com amor por si mesmo e só. Quem dera conseguir desamassar o coração como se desamassa um papel e poder dar-lhe a quem merece. Enquanto você perde seu tempo tentando me machucar mais, eu vou tentando me curar de você.
    Contrariando os poetas, o amor acaba sim. Não querendo parecer radical ou contra conto de fadas, mas essa é uma verdade que a maioria ignora. Difícil de aceitar, ainda mais se espera isso por tanto tempo. Difícil organizar as gavetas, se acostumar com o silêncio e com todo o resto que não se tem mais. Calma, isso não é de todo ruim, não. Se não acabasse as pessoas não teriam outras chances de serem felizes, de acertar o que erraram no passado. Não tem como concertar o que já foi, muito menos viver em paz com o passado no bolso. Alguns amores não acabam e sim, se transformam em amizade, amor fraternal e até amor incondicional. Fora que as pessoas mudam, assim como seus planos, desejos e gostos.
    Então, o que posso te desejar é sorte. Sorte de encontrar alguém inteiro como você, que queira o mesmo que você, no mesmo momento que você. Sem a menor possibilidade desse alguém te destruir em milhões de pedaços pra depois voltar mudado e te julgar por você ter se tornado aquilo que ele mesmo criou. Fazendo-te se sentir a pior pessoa do mundo, te fazer acreditar que a culpada é você por não saber amar, por não fazer o que ele espera que faça, ... por você ter morrido tentando amar da forma mais pura e inocente que jamais amou. De fato, a culpa é minha por ter amado demais e me jogado de cima do prédio só pra viver tudo aquilo que pulsava dentro de mim, mesmo sabendo que não viveria muito. Suicídio? Não.... eu só queria amar até morrer de amor, e assim foi.


quinta-feira, 17 de março de 2016

"Daqui a 50 anos eu ainda vou saber seu nome e vou me lembrar de todas as vezes que você me fez sorrir. Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos."
Caio Fernando Abreu


      Ela caminhava no lugar de sempre e sem pretensão alguma quando tropeçou naquela pedra de formato singular. Guardou-a no bolso e seguiu em frente. Cuidava dela com tanto carinho que os outros não entendiam. Intrigou-se com o seu brilho, lapidou e encontrou a parte mais bonita da pedra. Mas ela se apaixonou por uma pedra? Não importa, ela estava feliz. A levava com ela sempre, como um amuleto, mesmo às vezes a machucando por sua dureza. Em um dia qualquer, com pressa de ser feliz, correu o mais rápido que pôde. Acabou caindo e machucou muito o peito, onde a pedra estava. Não se importou com isso, continuou a carregando no mesmo lugar, mesmo piorando o machucado. Resolveu deixar na mesinha de cabeceira até conseguir levar a pedra no peito novamente. Pra quem viu de fora não foi nada de mais, mas doeu, doeu tanto que se tornou o avesso da dor.
     Os dias foram modelando sua vida até o dia que se olhou no espelho e não se reconheceu mais. Olhou para a pedra, que estava linda banhada pela luz do sol, como quem admira uma obra de arte. Levou-a em uma loja e pediu para que ela fosse colocada em um colar, pra ficar perto do coração, onde estava acostumada. Não era uma pedra qualquer, era sua pedra preferida, merecia mais, muito mais do que a garota podia dar. A pedra só merecia o melhor e a garota seguiu só, vazia, pensando que nunca mais sentiria aquilo tudo novamente. Seguiu, mesmo apática, porque a vida segue. Nasceram para se apaixonar, mas não para ficarem juntas. E assim a pedra foi para a vitrine, em um belo colar de ouro, esperando fazer parte da felicidade de alguém.

domingo, 22 de novembro de 2015

ForMatada


"Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar em vão, para trazer a linha de volta. 
É aceitar doer inteiro até florir de novo."
Caio Fernando Abreu

       Ela já havia passado por tristezas profundas outras vezes, não era nenhuma novidade. Mas agora tinha algo diferente. Conformou-se em ser infeliz, por algo ou alguém. Aceitou como alguém que aceita uma missão, por achar que era o certo, o justo, o que deveria ser feito. Dia após dia, acordava e vivia para alguém até o momento de dormir e, gradativamente, deixava a sua própria vida ir se apagando. Cada vez raciocinava menos, apenas fazia o que tinha que fazer, como um robô programado pra fazer as pessoas felizes. Seu sistema era atualizado a cada “erro” cometido. Não podia isso, aquilo não era de acordo com as regras. Não, não dá tempo de passar o antivírus, precisava executar a tarefa diária. O programa não podia parar de rodar. Atualizando... Sobrecarga no sistema... Formatando disco... Executando... Executada. Quando deu-se conta estava sendo enterrada viva, junto com seus sonhos e lembranças boas. Lágrimas constantes acariciavam os lábios... o sorriso enferrujou e ninguém notou. Doeu alucinadamente ao pensar que não é quem ama que iria fazê-la feliz. Negou isso por muito tempo, até que não pôde mais ignorar o cinza do seu sorriso ao se olhar no espelho. Não se preocupe, você sempre vai poder usá-la em modo de segurança, mesmo alguns programas não funcionando. Algumas coisas são eternas dentro de nós, não importa o que aconteça fora.
     Ela, depois de muito tempo mergulhada em hipóteses, entendeu o problema. Não, nunca faltou amor, faltava – há muito tempo – sorrisos. Preferiu ter a pessoa que mais ama por perto do que a sua própria felicidade. Mas tudo tem um preço. Chegou ao limite, se desse mais um passo sabia que não voltaria mais. Era curto circuito na certa e, antes que isso acontecesse, o sistema de segurança desligou a máquina sem autorização do administrador. Coração, mente, sexo, alma, tudo colocado automaticamente para hibernar até que o sorriso volte a funcionar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sem sentido



     Fala. Fala que tudo isso vai passar – disse ela olhando para o céu. E a única resposta foi o som da noite. Ela não sabia o que fazia todos os finais de semana naquele chafariz, mas não conseguia deixar de ir até lá.  É aquele sentimento que você só sente que tem que ir, mesmo sem saber o motivo. Não sei se podemos chamar de destino, mas algumas coisas estão destinadas a acontecer, independente da nossa vontade. Cada pessoa que passa pela nossa vida tem uma função, acredite! E qual é a sua na minha? Ainda vou descobrir.... Quando? Não sei, mas tudo tem seu tempo e eu não tenho pressa. Afinal, “a pressa é inimiga da perfeição” e quero que seja perfeito, ou o mais próximo disso. Sei que o meu sorriso vai acontecer, como aconteceu algumas vezes. Sei que cada vez que olho pra lua você também está a observá-la. Aliás, ela está linda hoje, com um brilho especial como se quisesse me dizer algo sobre você. Acreditaria se eu te contasse que voltei no tempo só para te tocar? Sim, também teve um abraço com aroma de vinho. Às vezes te encontro nos sonhos, mas sei que não passam disso. Você sonha comigo? Você sonha? Tem planos? Ou só está existindo? Eu passei muitos dias apenas existindo e ainda passo vez ou outra. Queria que tudo tivesse sido diferente, mais feliz, menos confuso. Todos nós queremos e só queremos. Já imaginou se tivéssemos o controle remoto da nossa vida que bagunça seria? Eu pausaria naquela noite. Ainda escuta aquela música? Eu, nem música tenho escutado, o que é melhor, às vezes. Música tem um poder de revirar coisas em mim, cutucar feridas, apertar a saudade, abrir sorrisos e depois que acaba, como eu guardo tudo isso no lugar de novo? Já passou por isso? Desculpe, não estou falando coisa com coisa, não é? Minhas palavras estão tão bagunçadas quanto meu interior. Eu ando sem sentido, mas sentido muito. Não quero lhe incomodar, nem atrapalhar então... eu vou indo. Vou querendo ficar. Ah! Quando der, olha pra lua.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

(Lou)cura


     lou.cu.ra sf. 1 Estado de quem é louco. 2 Desarranjo mental que, sem a pessoa afetada estar ciente do seu estado, lhe modifica profundamente o comportamento e torna-a irresponsável; demência; psicose. 3 Insensatez. 4 Aventura insensata. 
      Sou aquela que perdeu a razão e só comete desatinos. Não é mais só esquecer o que foi fazer naquele cômodo nem o branco que dá quando vai falar o nome de alguém. Não é mais não lembrar o que fez ontem ou esquecer um compromisso importante mais de uma ou duas vezes. Não é mais assistir uma aula e não absorver nada dela, muito menos se perder no tempo e ter que sair correndo. Dormir o dia todo e se dar conta que não deu comida ao cachorro é a mais leve das falhas. Podia passar o resto do ano indo da minha cama para o banheiro e vice-versa.
     Eu falo da loucura camuflada, daquela que ninguém suspeita, ninguém vê, de ter um mundo só meu, onde eu penso coisas absurdas e tenho sensações e atitudes que não aprovo, mas faço. E depois me arrependo, me culpo, me odeio. Sentir? Isso foi ficando cada vez mais escasso. Hoje sou capaz de assistir um assassinato brutal sem expressar nenhuma reação. Te assustei? Eu também. Isso vem me assustando há muito tempo. Vem me prejudicando seriamente há muito tempo em todos os sentidos e área da vida. Venho perdendo não só a razão, como também a paz, paciência, sonhos, desejos, as pessoas, sentimentos – principalmente os bons. Perdoem-me os que já fiz chorar e os que ainda vou fazer até me consertar. Estou em um limbo onde não quero trazer ninguém. Eu estou fora de mim, estou no automático, existindo, assistindo eu mesma destruir a minha vida e as pessoas que ainda sentem algo bom por mim. Estou perdida, buscando desesperadamente a cura antes que eu machuque mais ou mais alguém. Não vou desistir, agora tenho esperança de sair do coma que me encontro, pois chutei o comodismo, procurei ajuda e finalmente encontrei. 
     E meu único desejo, ainda que racional, é que eu consiga me curar a tempo de não perder a única coisa – e a mais importante – que tenho: um amor verdadeiro.


"... Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca; 
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio... (...) 
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante; 
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade... (...) 
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço; 
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada; 
Porque metade de mim é o que penso, mas a outra metade é um vulcão... (...) 
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável; 
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei... (...) 
Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba. 
E que ninguém a tente complicar 
porque é preciso simplicidade para faze-la florescer; 
E que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor
e a outra metade... também."

Oswaldo Montenegro


*Sim, repeti a citação!

sábado, 21 de março de 2015

Não me ame!


Porque metade de mim é a lembrança do que fui, 
A outra metade eu não sei...
Oswaldo Montenegro


    O amor é um dos sentimentos mais belos que existem, mas não quero que me ame. Ele é sutil, leve e salvador. Ele chega a transformar o pior monstro em um anjo. Ele te faz esquecer-se do tempo, das horas, de você mesmo. Ele faz brotar planos e sentimentos bons. Mas não, não me ame.  Você se entrega de corpo e alma, mesmo sabendo que é perigoso, mesmo sabendo que não é recíproco. Qualquer problema se torna um nada quando se tem amor. Ele te torna invencível! É teu consolo, teu colo, teu chão. Teu ouvido para as novidades e dores. Não me ame. Às vezes, parece que vai explodir de tanto amor que tem dentro da gente que, se explodisse, só iria espalhar sentimentos bons em quem fosse atingido. Você abre mão de muitas coisas por amor, mesmo não podendo, mesmo te prejudicando, o faz sorrindo. Ele te dá força, coragem e te transforma por dentro, tornando as qualidades maiores e até corrigindo alguns defeitos. Você se desdobra por apenas alguns minutos perto de alguém. Grita para o mundo o motivo do seu sorriso, sem o menor constrangimento. Reconhece aquela voz no meio de várias outras sem dificuldade. Não me ame, nunca. Pode passar horas olhando para aquele rosto sem se cansar, enumerando o que mais te fascina. Apaixona-se por toda aquela família como se fosse tua afinal, te deram o melhor presente que poderiam dar. Não se imagina sem e quer que fique na sua vida para sempre e.... do dia para noite tudo acaba. Sim, como se apertasse um botão, sua vida vira de cabeça para baixo, a dor é tanta que parece que vai morrer. Deus! Como doía, nunca senti tanta dor na minha vida. Tem que dar um jeito de sumir com tudo que está dentro para parar de te rasgar a cada vez que respira. Você perde o controle do que sente, perde seu trabalho, seus amigos, se isola. Perde-se, porque não importa em que direção vá, a dor continua latente, gritando, te matando a cada dia. Até o dia que a dor é tão grande e constante que anestesia seu corpo e alma. Olha no espelho e sente pena de si mesmo. Os amigos te encorajam a continuar a vida, a conhecer outras pessoas, mas nada te interessa. 
    Um dia está saindo com alguém por sair por sair, outro dia com outro e, quando percebe o primeiro sinal de apego se assusta e foge. Por isso eu repito: não me ame. Eu não tenho mais nada de bom que possa te dar. Não, eu não tenho medo de me apaixonar, porque sei que isso não vai acontecer. Sou vazia, tudo que eu tinha de bom vazou com as lágrimas infinitas. Me coração ficou em algum canto de um sobrado distante, talvez embaixo da cama onde chorei sangue tentando entender o que acontecia. Não me ame, por favor, porque isso me assusta e eu vou me afastar de você o máximo que puder. Arrisco dizer que odeio o amor. Ele sempre me trouxe dor, mas a última vez foi insuportável. Ele me tornou tão frágil que, ao me quebrar em milhões de pedaços, não consegui os colar novamente. Sou fragmentos de uma pessoa que um dia existiu e que sinto tanta falta como sinto da minha mãe. E que ao tentar andar sem as pernas acabou caindo ainda mais fundo, errado e sendo condenada no mesmo grau e, destruída de vez, aceitou a ausência de si. Não servia mais, era um ser humano com defeito. Não me ame, eu não vou poder te dar nada além de beijos e prazer. Não vai me ver todo dia, não vamos ao cinema, passear no parque, deitar na grama e ver as estrelas e a lua. Use-me e jogue fora. É pra isso que sirvo hoje, sou o kit-solidão temporário. Não fico mais com quem me ama pra evitar que mais alguém se perca nesse breu em que vivo. Pois não, não gosto e não desejo pra ninguém o que passei e me tornei, mas tive que aceitar. Fico com quem não dá nada por mim, com quem não tem intenção nenhuma de me levar a sério. E se, por acaso, eu perceber algum brilho diferente nos olhos de algum desses “quem’s” que passam por mim, será a última vez que irá me ver. Não quero amor, estou perdida. Não posso guiar ninguém e não enxergo o caminho para sair daqui. Quem poderia me ajudar me afunda ainda mais. Sinto-me doente. Tenho aversão a carinho, a “eu te amo”, “sinto sua falta”. O amor me sufoca. Não quero! Traz-me agonia, me tira a paz. Por favor, deixe-me só. Pode me julgar, mas não me ame! Não agora.

terça-feira, 17 de março de 2015

Parti, ainda partida


“Eu sabia que era preciso tempo. Cada perda tem sua hora de acabar,
cada morto seu prazo de partir, e não depende muito da vontade da gente.”
Lya Luft

     Afogava-se nas constantes lágrimas pelos erros, por sentir e, na maioria das vezes, por não sentir. Anestesiada, em meio a cobranças e tentativas falidas de fazer dar certo, errava mais. Em um ato de desespero foi até o porão, onde ninguém iria achá-la. Ainda sim ouvia as vozes das pessoas preocupadas e tristes pelo seu sumiço. No dia seguinte, quando tudo estava em silêncio, subiu até seu quarto, arrumou uma mala pequena e partiu. Não sabia ao certo para onde, mas sentia-se aliviada a cada passo que a levava longe dali. Deixava para trás seus sonhos profissionais, os quais, até então, não abria mão por nada nem ninguém. Deixava seus amigos, que já não eram mais só seus, o que amenizava a culpa da partida repentina. Deixava para trás sentimentos e desejos que não podiam ser vividos, só traziam dor e frustração para os envolvidos.
    Muitos tem pânico de armas, animais, altura, morte, ...  Ela entrava em pânico ao escutar “eu te amo”. É a mesma sensação daquele brinquedo de 100m de queda livre. Foi o que a fez partir. É um pânico inconsciente, que ela não dominava, na verdade, ele a domina. Enquanto ser amada é o sonho da maioria, pra ela era pesadelo. Quando ficava ao lado de alguém e se pegava sorrindo, era assustador. Quando se rompiam as barreiras físicas, tocando em sua mão, soava o alarme de emergência. Sua defesa a afastava o mais depressa possível. Era sumiço na certa.
     Sonhava sim em um dia conseguir viver ao lado de alguém, sem medo, sem dores e passado. Mas não falava disso com ninguém, nem consigo mesma. Pois isso a levava ao lugar onde isso aconteceu, com medos e dores sim, mas com uma intensidade jamais vivida. Onde viveu o maior e mais lindo sentimento e, consequentemente o mais dolorido e destruidor também. É estranho como alguém pode partir o seu coração e você ainda amá-lo com todos os pedaços partidos. Pra ela, felicidade virou a o alerta da dor. E por não conseguir se entregar a mais ninguém, acabava magoando também, o que a deixava pior, virando um ciclo vicioso. É o momento de seguir em frente, colocar no bolso os planos quebrados, as mágoas e culpas, o coração ainda partido, e estampar no rosto um falso sorriso de que tudo ficará bem.

Partir - v.i. Pôr-se no caminho, ir-se embora. |Ter seu começo. | Fig. Tomar por ponto de partida. | Emanar, provir.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Let It Go (Deixe ir)


"Todo mundo tem um monstro dentro do seu coração, existem duas maneiras de 
interagir com ele: A primeira é deixando ele te dominar; 
e a segunda é o dominando e o usando a seu favor."
Marcos Mazzochin


     Revirando redes sociais depois de tudo que eu vi e ouvi, me obriguei a seguir conselhos de terceiros – uns nem sei quem são. O fato de não sentir não anula a razão gritando comigo, me esbofeteando e me colocando de castigo. Eles têm razão, eu não te mereço. Bastou ver você entrar no carro sem olhar para trás para eu desabar. Não posso mais te ver assim, não do jeito que vi ontem e pensar que a culpa é minha, dessa doença maldita que me anula cada dia mais. Me sinto impotente. Perdoe minha fraqueza, meus erros e insanidades. Talvez eu seja mesmo esse monstro, e lugar de monstro é longe dos humanos. Você estará segura, assim como todos  ao nosso redor.

     Chegou o momento de a Elsa partir pra longe de tudo e todos para o bem dos mesmos. Não dá mais pra pensar que ainda posso fazer bem a alguém assim, não posso mais me enganar. Cada lágrima tua me destrói um pouco mais. Cada olhar de decepção, de tristeza me mata. Vou torcendo para que alguém melhor que eu te faça feliz. Eu vou em busca da cura, para que um dia eu possa falar sobre felicidade com conhecimento de causa.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Rua sem Saída



Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga”.
Caio Fernando Abreu


       Hoje acaba uma história. A qual nunca achei que fosse ter fim, mesmo sabendo que nada é pra sempre. Mesmo não querendo, não admitindo. Linda sim, com seus altos e baixos, suas belezas e tristezas. E hoje, só hoje eu vi a verdade. Você me perdeu há muito tempo, mas eu não quis acreditar. Você não me perdeu com o descaso com meus sentimentos, a indiferença nos atos mais sujos e cruéis, nem com todas as outras atitudes que me machucavam, todas elas juntas não eram maior que meu amor. Perdeu-me quando disse que você podia ser o motivo que me daria forças pra sair da cama, que estava segurando minha mão e não largaria jamais e, do dia pra noite me mandar embora como se meu amor e a demonstração dele fossem um crime. Perdeu-me quando desmontei em lágrimas no seu colo implorando uma chance ou pelo menos uma explicação. Perdeu-me a cada dia que reafirmava que me amava como irmã e não teve coragem de voltar atrás e salvar o nosso amor. Perdeu-me quando a pessoa que eu mais precisava do meu lado era você, mas estava sozinha. Perdeu-me a cada madrugada que passei chorando tentando entender o que fiz de errado, tentando entender porque tudo que disse para me enxotar da sua vida não correspondia com o que tínhamos vivido, com o que seus olhos me diziam. Perdeu-me a cada dia que esperava você bater na minha porta e dizer “Volta pra mim”. Perdeu-me quando tudo isso dentro de mim desesperadamente virou insanidade. Perdeu-me quando outro alguém começou a me dar o que eu só queria de você.
      E do mesmo jeito que foi, resolveu voltar como se nada tivesse acontecido. Quando eu já estava de pé novamente, curada, refazendo minha vida. Voltou mudada, voltou, aparentemente, como eu sempre quis. E nisso vi uma segunda chance de ser e fazer você feliz. E por esse desejo ser tão grande, por ter esperado tanto, pela vontade de fazer dar certo eu joguei tudo que tinha para o alto pra ficar com você. Mas eu já não era mais a mesma, fui quebrada em tantos pedaços que até hoje sinto os vazios. Mas ignorei isso também, pois o que importava é que você, finalmente, estava ali na minha frente – o que demorei pra acreditar. Fui movida pela força de um sonho antigo, pela intensidade do meu maior amor. Acabei errando muito, entre confusões e vontades sem sentido. Fui chamada de monstro por, sem saber, estar fazendo algo que, no fundo, não queria. Embora com vergonha e sem compreender o que estava acontecendo, lutei contra mim mesma porque ela era, agora, a pessoa perfeita, tão maravilhosa e especial sem a casca áspera, então eu me proibia de desistir, não aceitava que não dava mais certo, não podia não ser. E continuei, cega, teimosa, errando, machucando e sendo machucada. Eu lamento, com muita dor, muita mágoa e muito peso porque só hoje entendi que o amor acabou há muito tempo e eu não vi. Não sei exatamente quando acabou. E por mais que seja a pessoa mais incrível que eu conheça – aquela que eu enxerguei, mesmo escondida e me apaixonei –, por mais que meu amor por você como pessoa seja eterno, eu não posso mais levar isso a diante sem aquele amor que morreu. Eu não posso mais te prender a mim, pois não temos feito bem uma pra outra, não tem sido saudável, estamos nos destruindo. Eu nunca fui falar mal de você pra sua família e, quando levo você para apresentar a minha é o que faz na primeira oportunidade. Hoje eu não me importo mais com a versão absurda que você contará aos outros. Estou cansada de ser julgada por idiotas que não sabem o que você fez comigo. Hoje penso que deveria ter feito tudo que você disse que fiz, pelo menos teria aproveitado a fama que me deu. Não quero mais minha vida íntima publicada no Jornal nem berrada aos vizinhos. Não quero mais ser o motivo da sua dor, nem você da minha. Não quero mais você repetindo mentiras que tomou como verdade. Se pensa realmente tudo isso de mim, é mais um motivo para o fim. Não quero mais viver e reviver meus erros. Preciso urgentemente de paz pra continuar caminhando, já que amar meu coração não consegue mais. Você achando que o problema é você, que te trocaria por outra pessoa e, na verdade o problema é bem mais “simples” e triste: acabou e nossa teimosia e vontade de dar certo passaram por cima insistentemente. Isso justifica tudo que aconteceu, só pode ser isso. Nunca enganei ou iludi. Sim, idealizei um futuro com você porque era realmente o que queria. É a pessoa mais importante pra mim, a quem confio minha vida. Por isso o amor não acabou totalmente e sim, se transformou em outro tipo de amor. E se tivesse a oportunidade de fazer um pedido hoje, seria pra que me devolvessem aquele amor que eu sentia, mas, infelizmente, não é assim que funciona. Se souber de algum milagre que faça isso acontecer, por favor, me fala. Se ainda tem alguma chance, pelo amor de Deus, faça ele voltar a bater no meu peito! Mas se ele realmente acabou, eu tenho que te libertar para que seja feliz, não posso ser egoísta. É só o que desejo pra você, uma eterna e completa felicidade. Que daqui a um tempo você venha me contar que está bem, feliz e realizada totalmente, assim como eu quero contar isto pra você um dia. Assim poderei sorrir também. Não nego, ainda tenho muito de nós em mim. E hoje quem perdeu você fui eu. Perdemos-nos. Precisamos sair desta rua sem saída e encontrar novos caminhos, nem que seja em outra cidade, em outro planeta. O importante é ficarmos de pé, e isso tem sido um desafio diário pra ambas. Eu vou sentir muito a sua falta. Eu sei que não vai me querer por perto. E eu também não vou querer ver, saber ou conviver com a sua casca que, fatalmente, vai voltar com tudo – e sim, ela ainda me machuca. Se você precisar de mim, sabe onde me encontrar. E por favor, me perdoe por tudo, por demorar pra entender meus próprios sentimentos e confusões. Desculpe-me por ter entrado na sua casa, no seu quarto, na sua vida, se pudesse voltar no tempo te pouparia de tudo, e a mim também. Já que não dá pra te desconhecer e te conhecer novamente, quem sabe na próxima vida, se eu te encontrar, eu consiga fazer tudo certo. Também estou em uma fase muito complicada, onde a insanidade me ronda novamente e não posso deixar ela me dominar. Só queria que soubesse – e levasse em consideração – que estou tão destruída quanto você. Um dia vai entender que foi o melhor a fazer, e que o melhor nem sempre é o que nos faz feliz.
      Força, foco e felicidade é o que meu coração remendado e torto te deseja, com toda sinceridade do mundo. Amo você, para sempre, inevitavelmente. Essa é a única certeza que vou levar comigo. E se não for pedir muito, se você puder leve só o que foi bom.

E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas,  
às vezes meio burras, tentar acertar os passos.
“Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam,
a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas para um dia dar certo.”
― Caio Fernando Abreu